série "Rostos do Meu Rosto" - XXIII

Já me esqueci do nome dele. Foi o meu guia durante umas caminhadas que fiz na região de Cederberg, na África do Sul.
Era um "bushman", um busquímano. Antigos nómadas, agora cada vez mais sedentários e a viverem em aldeias nas imediações das cidades, são um povo que vive e conhece profundamente os segredos da área onde vivem. Os seus conhecimento passa de geração em geração apenas oralmente e não de uma forma escrita.
Dado que esta cultura tende a desaparecer com o tempo, o governo sul-africano está a fazer um esforço para compilar todo o seu conhecimento para que não se perca.

Conhecem que plantas são ou não comestíveis, qual a melhor altura para os colher, fazer poções, quais os seus poderes curativos (corpo e alma), ou o seu contrário. Como fazer armadilhas para roedores e répteis ou aves com o que se vai encontrando no chão e onde e como os encontrar.
Estava tão empenhado nesta última tarefa que não conseguindo encontrar um gecko e umas aranhas debaixo de pedras, tirou dois frascos da sua mochila a tiracolo, cada um com o seu animal, para os libertar e os vermos a procurar refúgio nas pequenas pedras. Tinha feito o trabalho de casa.

O guia parecia estar pouco habituado a pessoas. Mesmo falando de uma forma apaixonada, fazia-o de uma forma nervosa, rápida e inquieta, com dificuldade em olhar para a sua pequena audiência.
Contudo era por demais evidente que sabia bem do que falava.







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