next stop - Mauritânia

Quem me conhece sabe que tenho uma especial predileção pela Ásia e pelas suas diferentes geografias, particularmente o Sudeste Asiático, o Médio Oriente e a Ásia Central.No entanto, África não fica atrás. Talvez conheça melhor este imenso continente do que a própria Ásia. O Norte de África não me seduz especialmente.
 
Pessoalmente considero-o sujo, agressivo no trânsito, marcado pelos maus‑tratos aos animais, por um forte assédio ao viajante e por uma constante sensação de que tudo tem um custo. Por onde quer que andemos, ouviremos rapidamente a palavra “baksheesh”, ou seja, dinheiro para gorjetas, subornos, pagamento de informações, favores, mendicidade, etc.

Por outro lado, a África Subsaariana é bastante especial para mim. Gosto. É vibrante, colorida, despreocupada, com paisagens variadas, rios majestosos e desertos poderosos, muitos deles ligados ao grande Deserto do Saara.
Tenho uma clara preferência pela região do Corno de África (África Oriental) e pela África Austral.
Sempre tive curiosidade em viajar para o lado ocidental do continente, totalmente desconhecido para mim, e entre os países da costa atlântica, um destaca‑se: a Mauritânia.
Quando viajo para fora da Europa, raramente o faço de forma inocente. Há quase sempre algo em vista, algo icónico, algo único que distingue esse país.
No Ruanda, foram os gorilas da montanha; no Botswana, o Delta do Okavango; na Etiópia, Lalibela; e na Namíbia, Dead Vlei e o seu deserto. Agora, é o Iron Ore Train.
Um dos maiores comboios do mundo, com cerca de dois a três quilómetros de comprimento e o maior a operar diariamente.
Liga as minas de Zouérat, no interior do Saara, à costa atlântica, no porto de Nouadhibou. Parte carregado de minério e regressa vazio ao ponto de origem, trazendo mantimentos, ferramentas, equipamento e peças para manutenção. Passageiros e trabalhadores também fazem parte da “carga” de regresso.
Ida e volta somam aproximadamente 1.400 km, num percurso que ronda as 20 a 30 horas, dependendo da carga, do seu sentido e condições meteorológicas. Viajar nele sempre foi um profundo desejo meu.

Há três outros pontos que me atraem na Mauritânia e que, apesar de considerados secundários, não o são de todo.
O regresso ao Deserto do Saara. Creio que será o quarto ou quinto país onde o irei cumprimentar.
Há um outro regresso, ao Sahel.
Uma longa faixa compreendida entre a Mauritânia se situa no lado ocidental e o Sudão (a primeira vez no Sahel) no extremo oriental. Uma faixa com cerca de 5.400 quilómetros de comprimento e, em média, 600 a 700 quilómetros de largura, que separa o norte do sul do continente africano e se estende desde a costa atlântica até ao Mar Vermelho.
Ou seja, este país da África Ocidental é simultaneamente mordido pela secura do Saara e parte integrante da área de transição entre a faixa desértica e as savanas mais húmidas da África Subsaariana. Caracteriza‑se por um clima seco, pluviosidade fraca e irregular, vegetação rasteira, mas suficiente para permitir a pastorícia.

Por último, mas não menos importante, o Harmatão.
Um vento muito seco e carregado de poeira fina que sopra do Deserto do Saara em direção à costa atlântica, atravessando vários países da África Ocidental, entre os quais a Mauritânia, durante os meses de inverno.
A sua época típica corresponde à estação seca, entre novembro e março.
Nesses períodos, o ar torna‑se ainda mais seco, o céu pode adquirir um tom esbranquiçado ou amarelado e a visibilidade diminui devido à poeira suspensa na atmosfera. O ambiente fica tão seco e poeirento que pode irritar os olhos, gretar a pele e afetar as vias respiratórias, provocando tosse e sensação de garganta seca.
Entre o Harmatão e as tempestades de poeira, que não são raras, as partículas que pairam no ar são tão finas e abrasivas que se infiltram por todo o lado, incluindo casas e hotéis, carros, roupas e mochilas.
Excelentes para arruinar uma máquina fotográfica, um telemóvel, um computador ou um relógio.











Comentários