A história de Bruges remonta ao século IX, ao tempo dos vikings. O nome deriva, segundo a hipótese mais aceite, da palavra nórdica "brygga", que significa porto ou local de amarração. O porto da cidade estava ligado ao Mar do Norte pelo estuário do Zwin. É aqui que a cidade nasce, ganha o nome e cresce.
Através dele, a cidade floresce, enriquece, principalmente, com o comércio de têxteis. Comerciantes de Espanha, Inglaterra, França e Alemanha confluem para a cidade, tornando-a efervescente de actividade, cor e riqueza.
Perde influência comercial no século XV quando o porto de Antuérpia se estabelece e atrai para si os mercadores. Entre os séculos XVI e meados do XIX, a cidade cai no outro extremo e torna-se uma das mais pobres do país. No entanto, a cultura, a arte, nomeadamente a pintura, e a arquitectura não esmorecem, pelo contrário. A velha cidade renasce no século XX quando o turismo se impõe e reconhece nela as virtudes que antes estavam perdidas.
Oscilando entre o local e o turismo, Bruges é uma das cidades imperdíveis da Bélgica.
Simples, acolhedora, enquadrada por um canal e uma ponte que lhe conferem um ambiente romântico e sereno, está a Praça Jan van Eyck, dedicada a um dos pintores mais relevantes da escola flamenga.
Apesar de não ter nascido em Bruges — nasceu em Maaseik —, o famoso pintor passou boa parte da sua vida, e morte, nesta cidade. Foi em sua honra que a estátua, que segura um pincel numa mão e, na outra, uma pintura emoldurada, foi erigida.
A praça está vazia, ninguém procura esta estátua. Um raro barco cruza o canal sem se deter nela e dois locais passam de bicicleta naquela atitude ausente e invisível de quem Jan van Eyck há muito faz parte da rotina diária.
Por detrás de mim, uma senhora bate a porta de madeira, de um branco impecável, e sai apressadamente, bastante encasacada e enrolada sobre si própria, expondo-se o menos possível ao frio e ao vento. Estou quase sem sensibilidade nos dedos, dolorosamente frios.
Meto a câmara fotográfica por dentro do meu impermeável, as mãos nos bolsos, aconchego melhor a cabeça com o meu gorro e rumo à Markt.
Através dele, a cidade floresce, enriquece, principalmente, com o comércio de têxteis. Comerciantes de Espanha, Inglaterra, França e Alemanha confluem para a cidade, tornando-a efervescente de actividade, cor e riqueza.
Perde influência comercial no século XV quando o porto de Antuérpia se estabelece e atrai para si os mercadores. Entre os séculos XVI e meados do XIX, a cidade cai no outro extremo e torna-se uma das mais pobres do país. No entanto, a cultura, a arte, nomeadamente a pintura, e a arquitectura não esmorecem, pelo contrário. A velha cidade renasce no século XX quando o turismo se impõe e reconhece nela as virtudes que antes estavam perdidas.
Oscilando entre o local e o turismo, Bruges é uma das cidades imperdíveis da Bélgica.
Bruges é de facto um cartão postal da Bélgica. Bela, burguesa, de arquitectura medieval, romântica com as suas pontes e canais ao longo do rio Reie. Tem várias pequenas praças e ruas estreitas, algumas empedradas; a cidade é arrumada e limpa, atraente e fácil de gostar. Encantadora e charmosa.
De eleição para se passear a pé, ou de bicicleta, sem pressas e sem preocupações.
Caminhar com uma gaufre na mão, para depois se segurar um canudo de papel cheio de batatas fritas, seguindo os aromas doces que escapam das chocolatarias que pululam nas ruas. Sem esquecer uma típica cerveja belga num qualquer bar ou esplanada, como quem bebe uma muito clássica chávena de chá das cinco, em Londres.
Para quem chega de comboio, o mais provável é que, na estação, encontre um posto de turismo, onde um pequeno mapa ajuda nas deambulações por esta pequena cidade postal.
De eleição para se passear a pé, ou de bicicleta, sem pressas e sem preocupações.
Caminhar com uma gaufre na mão, para depois se segurar um canudo de papel cheio de batatas fritas, seguindo os aromas doces que escapam das chocolatarias que pululam nas ruas. Sem esquecer uma típica cerveja belga num qualquer bar ou esplanada, como quem bebe uma muito clássica chávena de chá das cinco, em Londres.
Para quem chega de comboio, o mais provável é que, na estação, encontre um posto de turismo, onde um pequeno mapa ajuda nas deambulações por esta pequena cidade postal.
Céu de um pesado cinzento. Chovia arreliadoramente e persistentemente, não uma chuva torrencial mas antes uma fininha que se entranhava pouco a pouco na roupa até a encharcar. Estava frio, o vento incomodava, por vezes fustigando o rosto com a chuva. Uma frágil e efémera neve caía a espaços. As mãos saíam com dificuldade dos bolsos. Não era o melhor dia para conhecer Bruges mas ainda assim estava longe de ser o pior. Uma questão de optimismo. Ainda assim desencorajou o passeio de barco pelos canais mas não o calcorrear pela cidade.
A cidade não estava cheia de turistas. E os poucos que se viam estavam mais dentro das lojas, onde o ar condicionado quente e abafado era mais convidativo, do que nas ruas.
Os canais e pontes sobre o rio salpicado pela chuva convidavam a uma travessia solitária. Ocasionalmente um barco vazio traçava a letargia das suas águas. As fachadas das igrejas acompanhavam o cinzentismo do dia mas sem ofuscar as suas arquitecturas.
A Markt, de piso empedrado e com o campanário de oitenta e três metros a dominá-la, é a maior praça e o centro histórico de Bruges para onde tudo conflui. Os principais restaurantes, cafés e chocolatarias estão aqui. Este é o melhor sítio para começar, ou acabar, uma ronda pela cidade.
A poucos metros está a segunda maior praça de Bruges: a Burg, antigo centro da decisão política da cidade.
A cidade não estava cheia de turistas. E os poucos que se viam estavam mais dentro das lojas, onde o ar condicionado quente e abafado era mais convidativo, do que nas ruas.
Os canais e pontes sobre o rio salpicado pela chuva convidavam a uma travessia solitária. Ocasionalmente um barco vazio traçava a letargia das suas águas. As fachadas das igrejas acompanhavam o cinzentismo do dia mas sem ofuscar as suas arquitecturas.
A Markt, de piso empedrado e com o campanário de oitenta e três metros a dominá-la, é a maior praça e o centro histórico de Bruges para onde tudo conflui. Os principais restaurantes, cafés e chocolatarias estão aqui. Este é o melhor sítio para começar, ou acabar, uma ronda pela cidade.
A poucos metros está a segunda maior praça de Bruges: a Burg, antigo centro da decisão política da cidade.
Entre os principais edifícios desta praça está a antiga Câmara Municipal de Bruges.
Num canto, entre a Câmara e uma série de lojas menores de recordações, está a pequena e discreta Basílica do Sagrado Sangue, apesar da escurecida fachada gótica decorada com estátuas douradas. É aqui que, alegadamente, os crentes assim o afirmam, se encontra e se pode ver um pedaço de tecido com gotas de sangue de Jesus Cristo embebidas nele.
Conta a lenda que o sangue foi recolhido directamente do corpo de Cristo por José de Arimateia. Chega a Bruges através do Conde de Flandres Diederik van de Elzas, que participa na Segunda Cruzada, com o objectivo, falhado, de conquistar Damasco, e que por sua vez terá recebido a relíquia das mãos de Balduíno III, rei de Jerusalém.
A basílica data do século XII, embora a sua fachada gótica seja já do século XVI. Tem a curiosidade acrescida de ser composta por duas capelas, uma em cima da outra, unidas por uma escadaria de pedra.
A capela inferior, por onde se entra, tem o estilo simples, austero e contido do românico.
A capela superior, onde se encontra a suposta relíquia de Jesus Cristo, é o seu oposto. Construída no século XII, é caracterizada pelo estilo gótico. Exuberante, colorida, com pesados castiçais, um complexo altar, vitrais, com tectos e abóbadas profusamente pintadas, esta basílica, independentemente das crenças pessoais, é definitivamente um ponto a visitar.
Na saída da Burg está o canal Rozenhoedkaai, um daqueles locais que definem uma localidade.
É aquele lugar que todos procuram fotografar, aquela imagem que prova a todo o mundo que estiveram em Bruges.
As casas contornam a curva do rio parecendo que flutuam, que nascem dele. Em dias mais convidativos, é um daqueles lugares que vale a pena apreciar com uma cerveja na mão.
É também um dos pontos de onde partem os barcos para os passeios pelos canais.
Simples, acolhedora, enquadrada por um canal e uma ponte que lhe conferem um ambiente romântico e sereno, está a Praça Jan van Eyck, dedicada a um dos pintores mais relevantes da escola flamenga.
Apesar de não ter nascido em Bruges — nasceu em Maaseik —, o famoso pintor passou boa parte da sua vida, e morte, nesta cidade. Foi em sua honra que a estátua, que segura um pincel numa mão e, na outra, uma pintura emoldurada, foi erigida.
A praça está vazia, ninguém procura esta estátua. Um raro barco cruza o canal sem se deter nela e dois locais passam de bicicleta naquela atitude ausente e invisível de quem Jan van Eyck há muito faz parte da rotina diária.
Por detrás de mim, uma senhora bate a porta de madeira, de um branco impecável, e sai apressadamente, bastante encasacada e enrolada sobre si própria, expondo-se o menos possível ao frio e ao vento. Estou quase sem sensibilidade nos dedos, dolorosamente frios.
Meto a câmara fotográfica por dentro do meu impermeável, as mãos nos bolsos, aconchego melhor a cabeça com o meu gorro e rumo à Markt.
Regresso à estação de comboios onde várias horas antes tinha chegado.
Entre ruelas secundárias da cidade, de portas e janelas bem cuidadas, encontro uma que gosto particularmente, a porta nº 13 (a 15 é a sua gémea) e uma bicicleta fora do seu sítio habitual, na Hoogstraat, usada como montra de uma loja de artigos vintage, a Madame Mim.
Consulto a tabela dos horários. Cerca de uma hora para o comboio que me levará de volta a Gante.
Abro o casaco impermeável. Em pouco tempo, começo a sentir picadas nos dedos gelados. O calor e a sensibilidade estão de regresso aos meus dedos.
Respiro fundo. Um chocolate quente e uma hora de espera vão saber bem.







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