É a Raphael Lemkin, um jurista polaco, que devemos a palavra Genocídio.
Resulta da junção da palavra grega "geno" que significa raça ou tribo com a palavra latina "cide" que significa matar.
É mencionada pela primeira vez em 1944, num livro de Lemkin sobre o domínio nazi na Europa ocupada. Em 1945, o termo ganha visibilidade legal ao ser usado nos julgamentos de Nuremberga.
Em Dezembro de 1948, a ONU atribui-lhe o estatuto de crime internacional.
No artigo 2, da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, de 9 de Dezembro de 1948, as Nações Unidas definem claramente o conceito de genocídio:
"Na presente Convenção, entende-se por genocídio os actos abaixo indicados, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tais como:
É mencionada pela primeira vez em 1944, num livro de Lemkin sobre o domínio nazi na Europa ocupada. Em 1945, o termo ganha visibilidade legal ao ser usado nos julgamentos de Nuremberga.
Em Dezembro de 1948, a ONU atribui-lhe o estatuto de crime internacional.
No artigo 2, da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, de 9 de Dezembro de 1948, as Nações Unidas definem claramente o conceito de genocídio:
"Na presente Convenção, entende-se por genocídio os actos abaixo indicados, cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tais como:
a) Assassinato de membros do grupo;
b) Atentado grave à integridade física e mental de membros do grupo;
c) Submissão deliberada do grupo a condições de existência que acarretarão a sua destruição física, total ou parcial;
d) Medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) Transferência forçada das crianças do grupo para outro grupo."
Depois do Ruanda e do Camboja, a Arménia é o terceiro país cuja história me põe frente a frente com este devastador conceito e palavra.
Podemos remontar o germinar do genocídio arménio ao século XIX e não exactamente ao ano de 1915.
A Arménia, nesta altura, não era um país, mas sim uma região cujos territórios estavam incorporados num outro maior, o império otomano de religião muçulmana. Estima-se uma população de arménios que rondaria os dois milhões e meio de pessoas.
Em finais do século XIX, os otomanos entram em crise e com eles os arménios. Com o piorar das condições de vida, o povo arménio, de origem cristã, faz um conjunto de reivindicações visando a melhoria dessas condições.
Para eliminar qualquer possibilidade de revolução e de uma pretensa autonomia, o líder otomano, o sultão Abdul Hamid II, resolve tomar o assunto entre mãos, e entre os anos 1894 e 1896, cerca de duzentos mil arménios são massacrados.
Com a continuada perda de influência otomana e a incapacidade do sultão de lidar com a crise, surge em 1908 um novo partido que ganha o poder: os Jovens Turcos. Infelizmente, para os arménios nada se altera, não só os assassinatos continuam como alguns anos mais tarde tudo se iria complicar seriamente.
É em 1913, quando a ala mais conservadora e radical dos Jovens Turcos forma governo, que tudo se precipitaria para a população arménia.
Três dirigentes tornam-se o coração deste governo: o ministro da guerra, Ismail Enver, o ministro do interior, Mehmet Talat e o ministro da marinha, Ahmed Djemal. Com eles, surge o conceito do estado pan-turco. Ou seja, unir sob um único estado, o turco, todos os territórios otomanos. Sendo cristãos e tendo a independência em mente, os arménios, mas não só estes, continuavam a ser o grande problema.
A coberto da Primeira Guerra Mundial, os turcos dão início àquele que é considerado o primeiro genocídio moderno do século XX — ainda que, cronologicamente, os alemães já tivessem cometido um genocídio semelhante contra os Herero e os Nama, na Namíbia, uma década antes.
A coberto da Primeira Guerra Mundial, os turcos dão início àquele que é considerado o primeiro genocídio moderno do século XX — ainda que, cronologicamente, os alemães já tivessem cometido um genocídio semelhante contra os Herero e os Nama, na Namíbia, uma década antes.
É, porém, o caso arménio que, pela sua escala e pelo aparato de Estado que o sustentou, viria a inspirar Raphael Lemkin a cunhar a própria palavra "genocídio": o genocídio arménio de 1915.
Tudo começou a 24 de Abril desse mesmo ano com a prisão de duzentos e cinquenta políticos e intelectuais arménios em Istambul.
Pouco tempo depois todos eles seriam assassinados.
Pouco tempo depois todos eles seriam assassinados.
Estava em marcha o primeiro genocídio do século XX.
Pesquiso as formas pelas quais os arménios foram chacinados.
É uma pesquisa dura e de antemão sei o que vou encontrar. Prevejo que estas não sejam diferentes de outros genocídios posteriores ao arménio.
A brutalidade, o desprezo pela vida e a industrialização da morte ganham sempre dimensões absurdas.
Os turcos recorreram a assassinatos e execuções em massa, a deportações, trabalhos forçados, campos de concentração e extermínio, fome, doenças e envenenamentos, a violações e à morte pela tortura. Barcos cheios de crianças e mulheres — milhares de vidas — foram atirados ao Mar Negro, perdidos por afogamento.
Os turcos recorreram a assassinatos e execuções em massa, a deportações, trabalhos forçados, campos de concentração e extermínio, fome, doenças e envenenamentos, a violações e à morte pela tortura. Barcos cheios de crianças e mulheres — milhares de vidas — foram atirados ao Mar Negro, perdidos por afogamento.
Incontáveis casas arménias foram queimadas com os seus habitantes no interior. Muitos foram obrigados a marchar pelo deserto sírio, debaixo de calor tórrido sem comer, sem água ou roupa para se protegerem. Estima-se que entre seiscentos mil e um milhão de arménios terão perecido desta forma.
Quem quer que quisesse prestar auxílio ou albergasse arménios em suas casas sofreria severas represálias. Morte inclusive.
Quem quer que quisesse prestar auxílio ou albergasse arménios em suas casas sofreria severas represálias. Morte inclusive.
Pensa-se que um milhão e quinhentos mil arménios, dos cerca de dois milhões e quinhentos mil da população inicial, terão sido mortos no decorrer do genocídio.
No corrente ano, 2020, em que se comemora a passagem dos cento e cinco anos sobre o genocídio arménio, o governo turco continua sem aceitar, apesar de admitir que houve matanças, que um genocídio terá ocorrido em 1915. Prefere falar em conflitos internos e sofrimento, cedendo ao termo massacre.
Países como o Reino Unido, a Espanha, a Austrália ou Israel não reconhecem, explicita ou implicitamente, a ocorrência de um genocídio.
Quanto a Portugal, só em 2019 é que reconheceu oficialmente a sua ocorrência.
Ainda ao abrigo da definição das Nações Unidas, dois genocídios estão actualmente em curso e que a comunidade internacional tem mantido, no primeiro caso, um grande alheamento e passividade, e no segundo, uma quase inexistente pressão.
O primeiro é o do Tibete, quando em 1950 a China invadiu este país independente e desde então está a matar paulatinamente a sua população, a destruir-lhe a sua cultura e a sua religião.
Triste e incompreensivelmente, numa lastimável submissão ao poderio económico e político do governo chinês, o mundo, particularmente o ocidental, sabendo disto, assobia e vira a cabeça para o lado, permitindo que um país inteiro desapareça de uma forma mais ou menos encapotada há setenta anos!
O segundo está a acontecer desde 2016, com o genocídio da etnia muçulmana Rohingya, por parte dos militares budistas com a conivência implícita da líder do governo, a Nobel da Paz (!!), Aung San Suu Kyi. Esta limpeza étnica, que continua em curso, já terá provocado cerca de vinte e cinco mil mortes e mais de setecentos mil refugiados.
A quase totalidade destes últimos encontra-se presentemente no maior campo de refugiados do mundo: o Cox's Bazar, no vizinho Bangladesh, por sua vez, um dos países mais pobres do mundo.
Ainda nada de verdadeiramente eficaz foi feito, nestes quatro anos, para ajudar a etnia Rohingya.
Apesar de muitas vozes se erguerem a favor da retirada do prémio Nobel à dirigente de Myanmar, esta ainda não só o ostenta como ainda não foi chamada à justiça relativamente ao crime que está a ajudar a perpetuar.
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