série "Rostos do Meu Rosto" - XXVII

Tirar uma fotografia a uma mulher é quase sempre um desafio — depende do país, da pessoa, do momento. 
Pode ser muito fácil, basta mostrar a câmara e sorrir. Por vezes são elas que pedem. Podem ser peremptórias na recusa, e aí não há volta a dar. Ou então uma recusa tímida, e percebo que umas palavras dirigidas à sua beleza e forma de vestir podem ser o argumento final para um sim.

No complexo do Qutb Minar, em Nova Deli, onde se ergue o maior minarete de tijolo do mundo com 72,5 metros de altura, encontrei Mahara. Passeava com a família. A bindi vermelha na testa, o piercing no nariz, o mangalsutra ao pescoço, o fio preto com pendente que na tradição hindu identifica uma mulher casada, prenderam-me a atenção.
Foi um dos homens da família que me abordou primeiro, para uma fotografia só com ele. Depois chamou toda a família para se juntar. Aproveitei de imediato a gentileza para fotografar o grupo, tendo em vista Mahara.
Recusou a fotografia isolada. Só consegui a imagem porque a família a incentivou, mas não antes de a tirar a todas as mulheres do grupo e de ter elogiado a cor do seu sari e a elegância do seu pallu, a extremidade do sari pousada sobre a cabeça.

Quis ficar de lado, numa pose muito formal — quase de estado, pensei eu - sem olhar para a câmara.
Um sorriso tímido aflorou-lhe nos lábios.










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