série "Rostos do meu Rosto" - XXVIII

No caminho para uma aldeia Konso, no sul da Etiópia em pleno Vale do Omo, cruzei-me com dois miúdos — um deles com a bandeira etíope estampada na t-shirt. 
Cada um carregava uma saca de serapilheira cheia de erva e ramos parecendo razoavelmente pesadas para os seus ombros. 
Pousaram-nas no chão para ver a câmara, algumas fotografias que tinha tirado e o que levava na mochila.

Quando retomaram o caminho, antecipei-me a eles, peguei nas sacas e coloquei uma em cada um dos meus ombros. Caminhei com eles lado a lado durante dez ou quinze minutos.
Quando a aldeia começou a tornar-se visível no caminho, interromperam-me. Queriam as sacas de volta.
Insisti, disse-lhes que as levava até ao fim. Persistiram, puseram-se à minha frente para que não continuasse. Foi então que percebi: queriam entrar na aldeia a carregá-las. Se não o fizessem, ainda lhes arranjaria sarilhos. As sacas voltaram para cima das suas cabeças.

Direitos, sérios, as sacas nas suas cabeças — olharam para mim sem cerimónia. A fotografia fez-se sozinha.










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