Do meu hostel em Listvyanka até ao Baikal eram duzentos, trezentos metros. Quando cheguei às suas margens senti um tremor interno que percorreu todo o meu corpo. Estava em frente ao mais mítico lago de água doce do mundo — o maior em volume, o mais profundo e o mais antigo que existe na Terra.
A sua "praia" era feita de seixos rolados e batidos pela água.
Quem caminhava nela fazia-o calçado, como eu, ou se descalço caminhava de forma desequilibrada, de braços no ar, como se fosse cair a qualquer momento.
A sua "praia" era feita de seixos rolados e batidos pela água.
Quem caminhava nela fazia-o calçado, como eu, ou se descalço caminhava de forma desequilibrada, de braços no ar, como se fosse cair a qualquer momento.
Pequenas barracas de comer, servindo refeições em pratos e copos de plástico, existiam espalhadas aqui e ali, encostadas ao paredão que separava a estrada daquela estreita faixa de seixos.
Dirigi-me a uma delas, escolhi o que pretendia, sentei-me e fiquei a olhar, alternando entre o lago que brilhava de forma fulgurante no horizonte e as pessoas que me rodeavam noutras mesas ou que passavam por mim.
Com as horas do meu lado, comecei a dividi-las pelo que poderia ser a classe média e a classe alta.
Dirigi-me a uma delas, escolhi o que pretendia, sentei-me e fiquei a olhar, alternando entre o lago que brilhava de forma fulgurante no horizonte e as pessoas que me rodeavam noutras mesas ou que passavam por mim.
Com as horas do meu lado, comecei a dividi-las pelo que poderia ser a classe média e a classe alta.
A primeira vestia-se de forma mais colorida e kitsch, agrupava-se em famílias com crianças, reconhecia-se no barulho e na forma de comer — mais na onda do piquenique, deitada ou sentada debaixo de toalhas nos seixos.
A segunda era mais contida, mais composta, mais silenciosa.
No dia seguinte, ao caminhar ao longo da costa, descobri a classe que estava em falta: a baixa, separada das restantes por umas centenas de metros da área por onde eu usualmente cirandava.
Assim vadiavam os meus olhos e pensamentos quando se cruzaram com esta senhora.
Pertencia à classe que eu tinha categorizado como alta.
No dia seguinte, ao caminhar ao longo da costa, descobri a classe que estava em falta: a baixa, separada das restantes por umas centenas de metros da área por onde eu usualmente cirandava.
Assim vadiavam os meus olhos e pensamentos quando se cruzaram com esta senhora.
Pertencia à classe que eu tinha categorizado como alta.
Bonita, bem vestida, óculos de sol, argolas em ambos os pulsos, colar e brincos a fazer conjunto com as unhas bem tratadas. Comia nas mesas das barracas e partilhava a mesa com duas amigas que estavam de costas para mim.
Enquanto a olhava, o seu olhar cruzou-se com o meu. O momento durou uns segundos, que aproveitei para tocar na câmara fotográfica pousada na mesa. O seu trejeito de lábios — qualquer coisa entre a condescendência e a amabilidade — fez-me assumir que dava o consentimento.
Enquanto a olhava, o seu olhar cruzou-se com o meu. O momento durou uns segundos, que aproveitei para tocar na câmara fotográfica pousada na mesa. O seu trejeito de lábios — qualquer coisa entre a condescendência e a amabilidade — fez-me assumir que dava o consentimento.
Para não violar a privacidade do seu almoço com as amigas, a fotografia foi tirada da minha mesa.
Na segunda vez que os nossos olhos se cruzaram, agradeci com um trejeito da cabeça e um sorriso.
Na segunda vez que os nossos olhos se cruzaram, agradeci com um trejeito da cabeça e um sorriso.

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