Tinha saído de um dos templos que mais me fascinam no complexo de Angkor Thom, Bayon.
A cerca de duas centenas de metros dele, surge outro igualmente imponente, embora não tão artístico: o templo de Baphuon.
Esses metros mudam tudo. Numa caminhada, muda o rei que os construiu, muda a arquitectura, muda a dedicação — o primeiro a Buda, erigido em 1200 d.C.; o segundo a Shiva, em 1060.
Aproximo-me de Baphuon, surge o que parece ser uma piscina. Boa parte coberta por uma vegetação aquática de um verde denso.
Juntei-me discretamente a um grupo de turistas com guia e ouvi o que pretendia: é um srah.
Cumpre um duplo propósito, rituais de purificação e a representação simbólica do mar infinito que rodeia o cosmos hindu.
O grupo avançou. Fiquei a contemplar aquele mar cósmico em silêncio.
Materializando-se do nada, surgiu uma senhora pedalando na direcção do grupo que eu havia deixado.
Materializando-se do nada, surgiu uma senhora pedalando na direcção do grupo que eu havia deixado.
À frente da bicicleta, uma cesta de vime cheia de garrafas e snacks. Fez algumas vendas e aproximou-se de mim. Apontou a mão para a cesta e aguardou.
Um pequeno turbante (krama) na cabeça, o rosto inexpressivo, o olhar aparentemente ausente — tinha uma presença profundamente hipnotizante.
Um pequeno turbante (krama) na cabeça, o rosto inexpressivo, o olhar aparentemente ausente — tinha uma presença profundamente hipnotizante.
Assim que reparou na câmara pendida ao longo do meu braço, disse-me pelas mãos que uma fotografia custava "one dollar".
Por princípio, não pago por uma fotografia. Mas se ao comprar algo a imagem me for concedida, aceito o negócio. Comprei uma garrafa de água e uma mistura de frutos secos — custou mais do que um dólar. Não me arrependi.
O krama azul e preto, os olhos iluminados pela luz que nos envolvia, o sorriso que estava lá sem se impor. Ela olhou directamente para mim — sem cerimónia, sem pose.
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