O mosteiro budista de Gandan, em Ulaanbaatar, é um complexo de seis templos de influências mongóis, chinesas e tibetanas. Uma das suas principais funções é a educação — a formação de monges e de líderes religiosos e académicos.
Entrei discretamente numa das Datsan, descalcei-me, sentei-me no ponto mais recuado da sala sobre os meus calcanhares e fiquei uns minutos a assistir às leituras e sutras.
Saí tão discretamente como tinha entrado.
Continuei a explorar o complexo, os seus edifícios e as rodas de oração espalhadas um pouco por todo o lado. Ainda ouvia os cantos dos alunos budistas quando me cruzei com esta senhora — cuja idade, ou nome, não consegui descobrir.
Estava sentada num pequeno banco de madeira, encostada ao tronco fino de uma árvore. Ao seu lado, em pé, estava uma senhora que, pela diferença de idades, suspeitei ser a neta. O rosto da idosa e o magenta intenso da sua túnica captaram-me de tal modo a atenção que sabia que me arrependeria para sempre se não conseguisse fotografá-la.
Ganhei coragem. Coloquei-me de cócoras para ficar ao seu nível, rasguei um sorriso sincero e mostrei-lhe a câmara. O pedido era claro: Posso? Pareceu-me inexpressiva e senti-me perdido, temendo não obter a autorização. Insisti. A senhora ao seu lado veio em meu socorro e perguntou-me se era uma fotografia que eu pretendia. Respondi: Sim, sim, sim. Falou com a velhota. O rosto dela mexeu-se para cima e para baixo.
Fui rápido. Três fotografias. Sabia que sorria, mas parte desse sorriso era absorvido nas rugas que se mexiam. Mostrei-lhe as imagens. Quando olhou para esta, sorriu de forma mais expressiva. A escolha estava feita.
Apertou a minha mão com as duas dela. O seu toque era extraordinariamente suave. Nunca falou.
Continuei a explorar o complexo, os seus edifícios e as rodas de oração espalhadas um pouco por todo o lado. Ainda ouvia os cantos dos alunos budistas quando me cruzei com esta senhora — cuja idade, ou nome, não consegui descobrir.
Estava sentada num pequeno banco de madeira, encostada ao tronco fino de uma árvore. Ao seu lado, em pé, estava uma senhora que, pela diferença de idades, suspeitei ser a neta. O rosto da idosa e o magenta intenso da sua túnica captaram-me de tal modo a atenção que sabia que me arrependeria para sempre se não conseguisse fotografá-la.
Ganhei coragem. Coloquei-me de cócoras para ficar ao seu nível, rasguei um sorriso sincero e mostrei-lhe a câmara. O pedido era claro: Posso? Pareceu-me inexpressiva e senti-me perdido, temendo não obter a autorização. Insisti. A senhora ao seu lado veio em meu socorro e perguntou-me se era uma fotografia que eu pretendia. Respondi: Sim, sim, sim. Falou com a velhota. O rosto dela mexeu-se para cima e para baixo.
Fui rápido. Três fotografias. Sabia que sorria, mas parte desse sorriso era absorvido nas rugas que se mexiam. Mostrei-lhe as imagens. Quando olhou para esta, sorriu de forma mais expressiva. A escolha estava feita.
Apertou a minha mão com as duas dela. O seu toque era extraordinariamente suave. Nunca falou.
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