Ter escolhido o discreto e pouco conhecido Trail de Lares, em vez do icónico Trilho Inca, acabou por ser uma das melhores decisões da minha viagem ao Peru.
Foram três dias de trekking de um pequeno grupo quase em completo silêncio, sem turistas à vista, apenas a presença tranquila dos habitantes locais, da imensidão e imponência andina.
Oportunidade para apreciar o silêncio, a imensidão e imponência andina, a sua natureza, de nos cruzarmos com aldeias rudimentares com estilos de vida espartanas, por força da geografia impiedosa, desprovidas de qualquer conforto moderno e material.
Tivemos de os alinhar lado a lado, quase numa disciplina militar, para organizar aquele caos cheio de expectativa. Seguimos o estereótipo: carrinhos e camiões para meninos, laços e bonecas para meninas. Material escolar para todos.
Os travessões foram mal calculados. Uma das pequenitas, com as maçãs do rosto muito rosadas e um olhar atento que parecia atravessar-nos, ficou sem o seu laço. Os travessões tinham sido mal calculados.
Oportunidade para apreciar o silêncio, a imensidão e imponência andina, a sua natureza, de nos cruzarmos com aldeias rudimentares com estilos de vida espartanas, por força da geografia impiedosa, desprovidas de qualquer conforto moderno e material.
A poucas centenas de metros da aldeia, avistam-se casas de feitas com tijolos rudimentares.
Há roupa estendida em cima de muretes de pedra e nas varandas de madeira.
Vêem-se ovelhas, galinhas e porcos à solta. Um cenário suspenso no tempo.
As tendas onde iríamos acampar estavam já montadas quando chegámos.
As tendas onde iríamos acampar estavam já montadas quando chegámos.
À entrada de cada uma, as nossas mochilas grandes marcavam o “código postal” improvisado dos seus futuros ocupantes.
Os miúdos da aldeia, ao perceberem da nossa chegada, começaram a correr na nossa direção com uma alegria desarmante. Sabiam exatamente o que trazíamos para eles.
Tivemos de os alinhar lado a lado, quase numa disciplina militar, para organizar aquele caos cheio de expectativa. Seguimos o estereótipo: carrinhos e camiões para meninos, laços e bonecas para meninas. Material escolar para todos.
Os travessões foram mal calculados. Uma das pequenitas, com as maçãs do rosto muito rosadas e um olhar atento que parecia atravessar-nos, ficou sem o seu laço. Os travessões tinham sido mal calculados.
Ela olhou-me diretamente, em silêncio. O seu olhar suave perguntava apenas: “E eu??"
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