Ao longe, a estrada rasgava a montanha e desaparecia numa dobra mais apertada. Mais umas curvas à frente, o jipe imobilizava-se e percebia porquê — estava bloqueada.
Retroescavadoras retiravam blocos rochosos que obstruíam o caminho e regularizavam a superfície para que os veículos pudessem continuar. Abaixo, o rio corria perturbado pelas pedras que a montanha ia largando. Habitualmente era uma paragem de mais de uma hora.
As pessoas que partilhavam comigo o jipe, e a minha jornada pelo norte do Paquistão, tinham tipicamente uma de duas reacções: exasperação por mais umas horas perdidas ou um encolhimento de ombros de resignação.
Eu sou da equipa dos ombros. Ia apreciar as incríveis paisagens de montanha que se ofereciam a mim e, câmara na mão, tirava algumas imagens e observava os locais a acumularem-se no bloqueio para mais um dia nas suas vidas.
Foi num desses inúmeros bloqueios que encontrei Jesus Cristo. Naturalmente que não era o nome dele, mas podia ser.
Este jovem paquistanês tinha-me dito o nome antes de o fotografar mas, na altura em que a estrada reabriu e recomeçámos a rolar, já me tinha esquecido dele.
Estava sentado numa rocha acabada de ser removida do caminho. Um manto verde-acinzentado caía para os dois lados da cabeça, a condizer com a camisa, protegendo-o, mais ou menos, da poeira que havia no ar. Por cima, o cabelo escapava-se como se recusasse a ser contido.
Estava sentado numa rocha acabada de ser removida do caminho. Um manto verde-acinzentado caía para os dois lados da cabeça, a condizer com a camisa, protegendo-o, mais ou menos, da poeira que havia no ar. Por cima, o cabelo escapava-se como se recusasse a ser contido.
Destacava-se de todos os outros locais pela sua juventude, pela tez mais clara, pelo bigode fino e pelo sorriso calmo.
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