O silêncio é quase total numa aldeia onde não entram carros.
Incrustada nas encostas das montanhas Karkas, a milenar Abyaneh preserva muito mais do que as suas paredes de adobe ocre e o pahlavi herdado do período Sassânida: guarda vivas as tradições nas vestes dos seus habitantes: as mulheres com os seus lenços brancos decorados com flores, os homens trajando de preto e chapéu.
Ouvem-se as conversas dos seus poucos habitantes, o vento a dançar entre as folhagens, o pisar seco dos caminhos de terra e o ribeiro a correr pelas margens que o aconchegam.
É por estas ruas estreitas, labirínticas e livres de motores que caminho.
Incrustada nas encostas das montanhas Karkas, a milenar Abyaneh preserva muito mais do que as suas paredes de adobe ocre e o pahlavi herdado do período Sassânida: guarda vivas as tradições nas vestes dos seus habitantes: as mulheres com os seus lenços brancos decorados com flores, os homens trajando de preto e chapéu.
Ouvem-se as conversas dos seus poucos habitantes, o vento a dançar entre as folhagens, o pisar seco dos caminhos de terra e o ribeiro a correr pelas margens que o aconchegam.
É por estas ruas estreitas, labirínticas e livres de motores que caminho.
A integração da aldeia na natureza é plena.
As casas são de adobe ocre, um material abundante nas imediações, resistente aos elementos e fácil de reparar. Ao serem erigidas nos socalcos da montanha, frequentemente o terraço de uma é o telhado de outra, confundindo-se com a própria encosta.
As fachadas apresentam-se nuas e despretensiosas. Quando existe algum ornamento, o motivo é quase sempre geométrico — cores quentes e linhas rectas a enquadrar simetricamente portas construídas em madeira natural.
Um detalhe que não passa despercebido: estas portas têm dois batentes, duas aldravas. Uma mais pesada, de desenho rude; outra mais leve, de traço fino e elegante.
Esta dualidade serve um propósito essencial. O Koobeh, de formato alongado, representa o lado masculino: é o homem quem usa esta aldrava e, no interior, o seu bater soa de forma pesada, grave e profunda, anunciando quem chega.
A sua contraparte é o Zan-koob, cujo bater é mais suave. De forma circular, o seu som, agudo e delicado, avisa os habitantes de que é uma mulher que deseja a sua atenção.
Saber antecipadamente quem está à porta permite-lhes adequar a forma de vestir, avaliar se devem ou não abrir ou, até, decidir quem o irá fazer.
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