É sossegado e calmo. Parece um jardim".
É desta forma que Jéssica, uma australiana, descreve o local, olhando em redor. Na verdade, assim é.
Cruzando o portão de entrada, um caminho cinzento, parecido com uma calçada, bordejado pelo verde da relva que domina todo o local, leva directamente ao Memorial, uma stupa budista.
Do lado direito deste, uns poucos metros à sua frente encontra-se um pequeno museu.
Espalhadas um pouco por todo lado, árvores derramam a sua sombra. Pequenos trilhos bem abertos e definidos permitem a circulação das pessoas por todo o sítio.
Sigo atrás de Vuthy, o guia de Tuol Sleng. Observo que o verde da relva é manchado por inúmeras depressões de tamanhos variáveis, que agora são poças de água barrenta de terra. Estamos no final da estação das chuvas.
Vuthy pára em frente a uma delas e avisa: "Não sair fora dos trilhos, são valas comuns".
Acrescenta: "ainda existem pessoas enterradas lá".
Com estas palavras, o guia rompe definitivamente com a aparência serena e pacífica do local.
Caio na realidade - estou num centro de extermínio, o mais conhecido dos "killing fields" do Camboja: Choeung Ek.
Como todos os locais tocados pelos Khmers Vermelhos, tem um passado brutal, cheio de dor e profundamente hostil.
Situado a cerca de 15 km a sul de Phnom Penh, este "killing field" é alimentado pela prisão de Tuol Sleng.
De lá, vêm os mortos que já não têm espaço para serem enterrados no pátio, vêm os moribundos para acabarem de morrer e os vivos para serem executados.
Os prisioneiros chegam a este centro de extermínio de camião. Vêm atados e de olhos vendados. Saem do camião e são encaminhados para as valas comuns. Ajoelham virados para elas, os guardas batem-lhes na cabeça e caem sobre a vala. Fazem isto em série. Dia após dia, durante anos. Incessantemente.
Caio na realidade - estou num centro de extermínio, o mais conhecido dos "killing fields" do Camboja: Choeung Ek.
Como todos os locais tocados pelos Khmers Vermelhos, tem um passado brutal, cheio de dor e profundamente hostil.
Situado a cerca de 15 km a sul de Phnom Penh, este "killing field" é alimentado pela prisão de Tuol Sleng.
De lá, vêm os mortos que já não têm espaço para serem enterrados no pátio, vêm os moribundos para acabarem de morrer e os vivos para serem executados.
Os prisioneiros chegam a este centro de extermínio de camião. Vêm atados e de olhos vendados. Saem do camião e são encaminhados para as valas comuns. Ajoelham virados para elas, os guardas batem-lhes na cabeça e caem sobre a vala. Fazem isto em série. Dia após dia, durante anos. Incessantemente.
Para impedir a propagação de doenças e simultaneamente acabar de matar os moribundos, espalham DDT sobre os corpos caídos.
Com a continuação das explicações de Vuthy, o espaço verde onde estou fica na minha imaginação tingido de vermelho. As árvores perdem a sua inocência e tornam-se utensílios de morte e tortura.
O seu nome é sugestivo: chamam-lhes "Killing Trees".
Com a continuação das explicações de Vuthy, o espaço verde onde estou fica na minha imaginação tingido de vermelho. As árvores perdem a sua inocência e tornam-se utensílios de morte e tortura.
O seu nome é sugestivo: chamam-lhes "Killing Trees".
O Memorial, uma stupa budista, começou a ser construído em 1988 e foi concluído em 1989. Tem 62 metros de altura e foi desenhado pelo arquitecto Lim Ourk.
As stupas, segundo a crença budista, são estruturas sagradas. Templos ou parte de um monumento, em forma de torre que pode ser abobadada ou semi-esférica, que contém restos mortais de um indivíduo, normalmente alguém importante, de uma família ou de um colectivo.
Aqui, é uma homenagem às cerca de 17 mil vítimas assassinadas em Choeung Ek.
Numa coluna central que se ergue até ao topo do monumento — ocupando praticamente toda a área interior e simbolizando o eixo do mundo — expõem-se cerca de 9000 crânios de vítimas da atrocidade inaudita dos Khmers Vermelhos.
Os andares mais baixos, separados entre si por prateleiras de vidro, estão frequentemente abertos, permitindo uma observação directa dos crânios e de algumas das roupas usadas pelas vítimas.
Os andares mais baixos, separados entre si por prateleiras de vidro, estão frequentemente abertos, permitindo uma observação directa dos crânios e de algumas das roupas usadas pelas vítimas.
No seu pico, "a produção de morte" de Choeung Ek chega a atingir cerca de trezentas execuções diárias. Nem sempre os carrascos conseguem cumprir o que lhes é ordenado. Incrivelmente, por isto, muitos deles são presos por traição e falta de lealdade ao regime e posteriormente executados
Saio, dirijo-me para o museu e depois para a rua.
Já fora do "killing field", faço um esforço de imaginação e reabilito as árvores, que recuperam a inocência perdida.
Pela segunda vez naquele dia, saio pensativo de um recinto.
E pela segunda vez, uma pergunta insiste em não ter resposta: porquê?
Sei que não a irei ter. E se tivesse provavelmente não a iria compreender.





um dos meus sonhos um dia poder ir ao camboja,pelas fotos deve ser lindo a vontade de ir é cada vez mais.
ResponderEliminarA história recente do Camboja é violentíssima. Só nos últimos 10-12 anos encontrou a paz e estabilidade.
ResponderEliminarMas felizmente o Camboja é mais que Pol Pot e Angkor. Tem paisagens lindas, aldeias e cidades cheias de encanto. Está cheio de gente afável e sorridente. Tentarei mostrar isso nos próximos posts.
Sim, se puderes vai até lá. O Camboja é um país que está à espera de todos nós. Será pelo turismo que ele se irá reerguer. E não te vais arrepender. :)